
Entrei em casa pela milionésima vez. Dessa vez não tinha ninguém em casa. Tudo o que eu procurava era paz e parecia que eu enfim tinha alcançado. Procurei o interruptor para quebrar aquela escuridão toda, mas parece que a luz havia queimado. Depois daquele leve xingamento interno, segui em direção à cozinha. Peguei a pior besteira que eu achei pra comer e pensei que deveria começar uma dieta. Mas pra quê?
Segui para o quarto e entrei. Dessa vez não precisaria trancar a porta, mas o costume me fez passar a chave. Destranquei-a imediatamente numa tentativa frustrada de tentar abrir todas as travas que me impedem de conviver harmoniosamente com todas as pessoas. O celular toca e aquela pessoa que sempre que me ligava me fazia abrir o maior dos sorrisos dessa vez me fez arrancar rapidamente a bateria do celular. Hoje era um dia só meu no qual eu decidiria mudar o meu comportamento com as pessoas. Ações completamente opostas à minha vontade. Ao entrar no prédio nem um "boa noite" foi dito à vizinha que esperava o elevador junto comigo.
Por mais que o mundo tentasse me unir às pessoas, mais eu me afastava. Criava uma espécie de cerca elétrica que havia sido colocada ali por proteção. A tentativa de me proteger de todas as decepções acabou por provocar milhões de outras. Lembranças fazem apertar o peito, ligo o rádio tentando fugir daquilo e a única música que não poderia tocar nesse momento parece que foi escolhida a dedo. Descubro que meus pés não tocam mais o chão, meus olhos não vêem a minha direção, da minha boca saem coisas sem sentido. Não vejo mais o meu farol e hoje estou perdida.
Estatelada em minha cama e olhando o teto branco do meu quarto ouço a música e choro. Uma única lágrima. The last cry before I leave all behind. I have to put all this out of my mind this time.
Durmo e enfim sonho com ele. A razão de todo esse sofrimento.
Trágico, não?
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Momento deprê
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário